UMA LIÇÃO À PÁTRIA QUE OS FANTOCHES (LÍDERES AFRICANOS) DEVIAM SABER
Governar não é fazer negócio : a frase de Ibrahim Traoré que estremece os palácios de cartão Há frases que não precisam de longos discursos para incendiar consciências. A sentença do Capitão Ibrahim Traoré, Presidente do Burkina Faso, é um desses trovões secos que atravessam a savana e deixam tudo em silêncio: “Liderar um país é um privilégio, não uma oportunidade de negócio.” Pronunciada com a serenidade de quem carrega o peso de um povo, esta afirmação devia ser gravada em granito à entrada de cada palácio presidencial africano. Mas, infelizmente, a maioria dos que lá se sentam trata o Estado como uma banca de dumba-nengue onde tudo se vende: a soberania, os recursos, a dignidade. Moçambique, pátria de Samora e também de promessas repetidamente atraiçoadas, conhece bem este enredo. A elite política que deveria ser guardiã do bem comum transformou o erário num património familiar, as instituições em condomínios privados e a luta de libertação numa legenda desbotada que serve apenas pa...